Amor próprio.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Amor próprio.


Amor próprio.

Aos poucos me tornei um vaso, um vaso vazio, não havia flores, ou nada que pudesse me deixar mais belo.
Ao passar do tempo, percebi que precisava de algo, então começaram a me encher, colocaram flores, e me pintaram das mais lindas pinturas.
Depois de tantas mudanças, ainda me sentia o vaso vazio, tudo foi em vão, e eu não entendia o motivo de tanta aflição.
O tempo foi passando e eu estava tão mais interessada em mostrar as pessoas que eu era um belo vaso, com flores e desenhos, que me esqueci que eu era apenas um vaso, eu queria ser diferente, eu nunca fui diferente.
Me derrubaram, caí no chão e fiquei em pedaços, as flores estavam longe de mim, e toda minha água tinha sido jorrada para fora. Foi quando percebi que não precisava de tudo aquilo, já que em algum momento iam sumir. Fui colado e reconstruído, não sentia nada, só o desejo inacabado de mostrar que eu poderia ser um vaso diferente. Eu me amei, não pelas flores, pelas pinturas, ou pela água que me enchia. Eu me apaixonei pelo barro, o formato, e as mãos talentosas que me tocaram e me fizeram. Eu me amei, e com o tempo flores das mais belas cores e formatos ficaram ao meu lado, elas morriam mas eu não me entristecia, vinham outras, e mais outras, e eu não sentia suas faltas, pois eu estava loucamente apaixonada, pelo o que as flores deixavam, estava apaixonada pelo o que a água passava, e estava apaixonada por aquilo em que as abelhas pousavam antes de ir até as flores. Eu estava apaixonada por mim, um vaso. E não, eu não era como os outros.

Ravena

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